segunda-feira, 11 de abril de 2011

Próprio Caminho

               Afonso era um garoto pobre, nasceu em uma pequena vila e desde cedo aprendeu a viver apenas com o necessário para sua existência.
               Marcelo porém nasceu em berço de ouro, e sua vida foi cercada de mimos e bens dispensáveis de todos os lados.
                Afonso batalhou muito e conseguiu ganhar uma bolsa na faculdade de Direito que tanto queria, já Marcelo pagava com desdem sua faculdade de Educação Física. O primeiro valorizava cada segundo de seu tempo na escola, enquanto o segundo não estava nem se importando com seu futuro.
                 Em uma festa o destino dos dois se cruzou, Marcelo mal olhou para Afonso, pois se sentia superior, mesmo assim não deixou de trocar algumas palavras com ele só para cumprir seu dever social.
                  Afonso não tinha tantos amigos, mas os poucos que tinham valiam a pena, também não tinha muitas garotas que se interessavam por ele, porém arranjou uma boa garota que virou sua namorada. Marcelo tinha muitos colegas, mas nenhum deles o compreendia, vivia "ficando" com garotas das quais ele nem sequer lembrava o nome.
                   Os anos passaram, e os dois nunca mais se encontrariam depois de terminar a faculdade. Afonso progrediu na vida, virou advogado, depois juiz e depois desembargador. Deus o lhe deu um presente e aliado com seus esforço ele conseguiu chegar onde queria.
                    Marcelo virou personal trainer, mas se sentia cada vez mais solitário, via todos, que um dia ele se  julgou superior, com suas famílias formadas e razoavelmente felizes. E ele com seu salário médio e sozinho.
                    Porém a roda viva do mundo dá muitas voltas, Afonso começou a deixar que o poder lhe subisse a cabeça, passou a tratar mau sua mulher e filhos, pisar nos que vieram do mesmo lugar que ele e esquecer que um dia ele precisou de seu suor para estudar.
                     Marcelo se arrependeu de como tratava as pessoas, achou um homem que o ensinou a trilhar um caminho melhor. Ele passou da classe média para a classe pobre, mas estava feliz, formou uma academia em uma comunidade pobre e com muito esforço passou a ensinar esporte para as crianças carentes. Depois de um tempo arranjou uma mulher com quem se casou e teve um filho.
                      O fio da vida de ambos chegou ao fim. Era hora de prestar contas para um juiz divino.
                       "Que venha você primeiro" - falou a voz para Marcelo
                        "Você, cresceu sem conhecer valores, ganhou tudo que queria e quando queria, foi mimado, arrogante e passou por cima de tudo e de todos, deverias ganhar um bom lugar no lago dos suplícios. Porém, você se arrependeu, cumpriu sua obrigação, se redimiu salvando crianças do mundo, e fez a melhor coisa que um homem pode fazer, reescreveu a própria história corrigindo os erros. Você está pronto para a próxima fase, não te falarei o que te espera, apenas siga em frente."
                           Marcelo subiu por uma escada luminosa.
                           "Sua vez!" - falou o juiz pra Afonso - "Vai para o lago dos suplícios"
                            "Como? Isso é uma injustiça, você deixa passar alguém que teve tudo pronto na vida, e eu que sempre precisei dar o máximo de mim para chegar onde cheguei não posso seguir? Não é nada justo!" - Afonso entrava em desespero com misto de raiva.
                              "OLHA COMO FALA COMIGO! NÃO SOU SEU AMIGO!" - falou o juiz exaltado - "Você era a maior aposta dos céus, recebeu um dom de Deus e o aliou ao seus esforços para mudar de vida. Conseguiu, criou suas bençãos, porém quando as atingiu esqueceu de tudo que passou, virou um homem frio e sem coração, sem respeito por nada que representa a vida, e por muitas vezes passou por cima de outros para conseguir seus desejos. Diferente de Marcelo, você reescreveu sua história de uma maneira errônea"
                             "Piedade por favor" - falou Afonso com ar de arrependimento
                              Depois de muito pensar o juiz falou - "Certo, diferente do que pregam em sua Terra natal, nosso Criador não é um ser injusto, deixarei que você volte para sua morada, ouça bem, terá poucos anos para recuperar tudo que perdeu, vais lembrar disto como um sonho, mas mesmo assim vai lembrar. E não esqueça, você cria suas bençãos, quando você tem vontade os céus de auxiliam, e ninguém além de você pode escolher seu caminho. Bendito seja o homem que consegue mudar sua história"
                                  Afonso teve sua segunda chance, e agora tenta deixar um legado bom em sua terra. Assim como pra ele tem tempo, o mesmo serve para cada um de nós, ainda há tempo para deixar um bom legado na Terra, pois nosso caminho está em nossas próprias mãos.  

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Rebirth

Chega, cansei da indecisão, não sou mais o idealismo múltiplo, estou construindo meu próprio e singular, vou expor minhas idéias, sejam elas contrárias ou não ao interesse dos grandes, se não vou morrer tentando.
Chega de gelo, do mesmo jeito que chega de falar de coisas banais, vou fazer o novo eu, mais forte, mais inteligente, mais idealista, mas sobretudo mais humano.
Que meu coração nunca pertença  ninguém, apenas a mim mesmo, que nunca seja tomado de paixão e sentimentos que escravizam o ser, que seja apenas guiado pela razão e fé (que não são coisas opostas).
Mas sobretudo que meu espírito seja forte e livre, puro, que nunca se suje com facilidades que o mundo hipócrita possa oferecer.
Que possa manter todos com quem me importo perto de mim, e que possa tratar melhor quem se importa comigo.
Sobretudo, chega de perder tempo, o tempo da mudança chegou, e vou abraça-lo forte.

Agora é que tudo começa de verdade!

SEM IDÉIAS SÓ TEORIAS =/

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Manipulação

Por que vivo? Por que vivemos? O que fazemos aqui? Por que? Por que? Por que? Por que?
Meu professor diz que tudo é manipulação, todos somos manipulados, desde nossas roupas até o que comemos. No fundo sempre soube disso, mas nunca havia parado pra refletir, se só consumimos coisas pré programadas pra nós, então não somos nada? Por que viver então? Não vivemos, apenas pensamos que vivemos, enquanto "eles" nos olham de seus satélites na órbita da Terra. Por que estou escrevendo esse texto sem o mínimo nexo aqui?
Por que aceitamos viver na manipulação, reclamando de nossos empregos mas não conseguindo viver sem eles, entrando em depressão no primeiro momento em que ficamos sós.
Só há uma certeza absoluta, não somos nada hoje em dia, realmente apenas Deus se importa com nós, somos o peso que leva nosso capitalismo pra frente, caridade existe apenas para acalmar os animos da população.
Agora a todos que estão lendo esse texto estranho e sem nexo, cabe as cabeças pensantes mudar tudo, não deixar tudo nas mãos de quem manipula nossas atitudes, porque o resto é resto, sempre vai ser manipulado desde que possam comprar a felicidade vendida pelo capitalismo.
Se o texto é totalmente sem nexo não vou respeitar o principio do começo, meio e fim, afinal, quem disse que todo texto tem que ser assim?

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Decisão

                       Acordei já pensando no quanto seria decisiva minha viajem do dia seguinte, esta é uma fase da vida de muitas mudanças, o destino para quem, assim como eu, nasce em uma cidade pequena é a mudança, isso é fato.
                       Eu apenas iria preparar o caminho, tentando arranjar um emprego, porém algo aconteceu, à noite, pouco antes de ir para cama recebi a notícia que havia sido aprovado no curso de filosofia por uma universidade federal. Aquilo me chocou, algo que sempre quis fazer, porém era tão longe, com um curso com tão poucas opções de trabalho, será que valeria a pena largar o curso mais abrangente que também poderia ganhar de graça por isso?
                       Uma decisão tão importante pra ser tomada tão der repente, só espero estar fazendo a escolha certa, pois isto definirá todo o restante de minha vida....
 

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

A natureza contra o descaso


         
                Minha história? Bem ela ainda está acontecendo, já que a vida é um livro que uma nova página surge a cada dia. Mas o capítulo que estou protagonizando não é nada bom.
                Vamos por parte, há muitos anos meus pais resolveram se casar, não tinham nada, mas o sonho era ter uma casa onde pudessem construir uma família.
                Como não tinham dinheiro se ajeitaram em um canto qualquer. Certo dia neste “canto qualquer” veio um senhor, representante do prefeito da cidade, logo meus pais acharam que iam tirá-los de lá, mas ele não o fez, foi o contrário.  Convocou todos moradores do local e logo falou.
                “A prefeitura se importa com nossos moradores, não faríamos a atrocidade de tirá-los desse local, mas espero que entendam que para isso nosso prefeito precisa continuar, e precisa dos votos de vocês”
                Foi dito e feito, meus pais moravam na beira de um morro, e toda comunidade deu o voto para o candidato a prefeito em troca da morada ali.
                Voltando ao meu capítulo do livro de minha vida, meus pais não tiveram como me dar uma boa educação, abandonei a escola na sexta série, e comecei a ajudar meu pai como servente de pedreiro. Apaixonei-me por uma bela garota da vizinhança, nos casamos e passamos a morar na casa de meus pais.
                Minha vida ia muito bem, tivemos nosso primeiro filho, depois o segundo, mesmo não tendo luxo algum, eu estava feliz, amava profundamente minha família. Quando meu pai me contou como ele conseguiu nossa casa pedi para que Deus abençoasse nosso antigo prefeito pelo seu coração generoso.
                Mas desses últimos dias nunca vou esquecer, o capítulo começa quando tenho uma forte discussão com minha mulher na frente de meu filho de 5 anos, nossa discussão acordou a menorzinha que estava no berço. No auge da discussão disse “Me arrependo amargamente de ter me casado tão moço e ter perdido minha vida”, claro que não foi real, foi uma coisa que saiu da boca pra fora, mas quando brigamos fazemos de tudo para ferir nosso adversário seja física ou mentalmente.
                Sai de casa, fui para a cidade, não queria mais voltar pra casa naquele dia, nem a chuva forte que me fez cair algumas vezes no morro me fez parar. Fui prum bar lá no centro da cidade, quanto mais longe de casa ficasse era melhor.
                Depois de dormir fora de casa resolvi voltar, mas para onde? Cheguei no local onde minha casa sempre esteve e lá não havia nada, apenas lama, tudo estava soterrado não acreditei ao ver aquilo, me atirei no chão chorando com muita força, parecia que algo ruim estava apertando meu coração e brincando com ele como se fosse um saco de pancadas. Minha vista começou a embaçar e a última coisa que lembro foi de um dos homens envolvidos nas buscas me socorrer.
                Acordei em uma tenda de socorro improvisada com um dos voluntários nas buscas sorrindo e dizendo
                “Nem tudo se perdeu”, ela me entregou minha filha menor, sobreviveu por milagre, trouxe com ela algumas recordações como álbuns de fotos.
                Mas minha vida estava perdida, minha mulher e meu filho mais velho se foram, assim como meus pais e a maior parte dos vizinhos, só não me atirei daquele morro pelo pequeno milagre que agora vai ter que crescer sem mãe e avós, nem irmão.
                Até agora me pergunto de quem é a culpa, nossa por invadir um lugar de risco? Mas meus pais nem sabiam o que é isso, e depois nem tinham mais aonde ir, não podiam me criar na chuva. Mas a imagem do prefeito que prometeu a morada não me sai da cabeça, e agora digo para todas autoridades, Deus abençoe-os , porque um pouco do sangue de cada morto está nas mãos de vocês.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Chuva de Verão




                Era um dia como hoje, o verão não dava uma trégua com as chuvas repentinas. Em meio aquele caos estava um homem desafiando o céu, homem não, garoto, adolescente que julgava saber como tudo funcionava. Ele aproveitava os intervalos das chuvas para continuar sua jornada. Mas por que tanta empolgação para sair no meio das pancadas de chuva do verão?
                Sim, havia um motivo maior pra aquilo tudo, seria o fim, o fim da melhor parte de sua vida, algo que foi bom mais precisava acabar, algo que lhe ensinou muito, mas deveria chegar ao fim.
                Ela olhava a chuva caindo parecia pressentir que algo estava para mudar. Já havia algum tempo que tudo era diferente, o garoto revoltado pra quem decidirá entregar seu coração já não podia ajudá-la devido à distância, em seu coração a solidão batia cada vez mais forte.
                Na mente do garoto a idéia fixa de que o desfecho não passaria de hoje, que hoje ele resolveria tudo de uma vez por todas.
                Ele demorou um pouco chegar ao local marcado, para não chegar molhado teve que ir arranjando abrigos, ela entendeu sua explicação.
                - Como estão as coisas? – perguntou ele
                -Estão piorando, ontem briguei com minha mãe, meus dois irmão não falam mais comigo, estou sozinha de fato – respondeu ela, mas não querendo parecer muito coitada
                -Eu sei o quanto você está sofrendo, mas há quilômetros de distância que nos separam, isso não pode dar certo, enquanto você vivia aqui eu podia te ajudar, agora só posso te comunicar por cartas
                -É, mas temos que ter paciência...
                -Não, já bastou o dia que você encostou a lâmina nos pulsos, não quero passar por isso de novo. Lembra daquele seu amigo que gosta tanto de você?
                -Não se preocupe não vai acontecer. O que tem ele?
                -Eu sou a única barreira que impede vocês dois, mas agora essa barreira se foi, ele pode cuidar de você, eu não
                -O que está dizendo?
                -Simples, você não consegue superar o que eu consegui sozinha, e eu longe não é a mesma coisa do que ele perto. Sei que você tem plenas condições de amá-lo, por isso estou te deixando, pelo seu próprio bem...
                A garota botou as mãos no rosto e deixou as lágrimas escorrerem
                - Pois bem, se é assim, você também está me deixando! Como todos fazem! Apenas me usou, não me preocure mais
                -Se for para seu bem não procurarei mesmo, vou viver uma outra vida, recomeçar, ainda tenho muito que provar aqui neste maldito lugar, não tenho força pra continuar com minhas metas e ficar preocupado com a chance de você tirar sua vida. Pelo menos ele não vai deixar você fazer isso.
                -Não me venha com desculpas, é isso então? Adeus

                Eles discutiram mais um pouco, mas logo o Sol ia se por, e um nunca mais veria a luz do outro. Na volta pra casa ele resolveu se perder um pouco, as pancadas de chuva voltaram, ele se deixou atingir, sabia que tinha feito a escola certa, ele não poderia protegê-la como o outro protegeria. E agora a chuva em sua cabeça indicava um novo começo, para um novo homem, uma etapa se ia, para outras começarem.
                Assim é a vida, uma etapa precisa ser destruída para que outra reine em seu lugar. Assim é a vida, que começa da dor, e da dor se faz o milagre.