sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Manipulação

Por que vivo? Por que vivemos? O que fazemos aqui? Por que? Por que? Por que? Por que?
Meu professor diz que tudo é manipulação, todos somos manipulados, desde nossas roupas até o que comemos. No fundo sempre soube disso, mas nunca havia parado pra refletir, se só consumimos coisas pré programadas pra nós, então não somos nada? Por que viver então? Não vivemos, apenas pensamos que vivemos, enquanto "eles" nos olham de seus satélites na órbita da Terra. Por que estou escrevendo esse texto sem o mínimo nexo aqui?
Por que aceitamos viver na manipulação, reclamando de nossos empregos mas não conseguindo viver sem eles, entrando em depressão no primeiro momento em que ficamos sós.
Só há uma certeza absoluta, não somos nada hoje em dia, realmente apenas Deus se importa com nós, somos o peso que leva nosso capitalismo pra frente, caridade existe apenas para acalmar os animos da população.
Agora a todos que estão lendo esse texto estranho e sem nexo, cabe as cabeças pensantes mudar tudo, não deixar tudo nas mãos de quem manipula nossas atitudes, porque o resto é resto, sempre vai ser manipulado desde que possam comprar a felicidade vendida pelo capitalismo.
Se o texto é totalmente sem nexo não vou respeitar o principio do começo, meio e fim, afinal, quem disse que todo texto tem que ser assim?

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Decisão

                       Acordei já pensando no quanto seria decisiva minha viajem do dia seguinte, esta é uma fase da vida de muitas mudanças, o destino para quem, assim como eu, nasce em uma cidade pequena é a mudança, isso é fato.
                       Eu apenas iria preparar o caminho, tentando arranjar um emprego, porém algo aconteceu, à noite, pouco antes de ir para cama recebi a notícia que havia sido aprovado no curso de filosofia por uma universidade federal. Aquilo me chocou, algo que sempre quis fazer, porém era tão longe, com um curso com tão poucas opções de trabalho, será que valeria a pena largar o curso mais abrangente que também poderia ganhar de graça por isso?
                       Uma decisão tão importante pra ser tomada tão der repente, só espero estar fazendo a escolha certa, pois isto definirá todo o restante de minha vida....
 

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

A natureza contra o descaso


         
                Minha história? Bem ela ainda está acontecendo, já que a vida é um livro que uma nova página surge a cada dia. Mas o capítulo que estou protagonizando não é nada bom.
                Vamos por parte, há muitos anos meus pais resolveram se casar, não tinham nada, mas o sonho era ter uma casa onde pudessem construir uma família.
                Como não tinham dinheiro se ajeitaram em um canto qualquer. Certo dia neste “canto qualquer” veio um senhor, representante do prefeito da cidade, logo meus pais acharam que iam tirá-los de lá, mas ele não o fez, foi o contrário.  Convocou todos moradores do local e logo falou.
                “A prefeitura se importa com nossos moradores, não faríamos a atrocidade de tirá-los desse local, mas espero que entendam que para isso nosso prefeito precisa continuar, e precisa dos votos de vocês”
                Foi dito e feito, meus pais moravam na beira de um morro, e toda comunidade deu o voto para o candidato a prefeito em troca da morada ali.
                Voltando ao meu capítulo do livro de minha vida, meus pais não tiveram como me dar uma boa educação, abandonei a escola na sexta série, e comecei a ajudar meu pai como servente de pedreiro. Apaixonei-me por uma bela garota da vizinhança, nos casamos e passamos a morar na casa de meus pais.
                Minha vida ia muito bem, tivemos nosso primeiro filho, depois o segundo, mesmo não tendo luxo algum, eu estava feliz, amava profundamente minha família. Quando meu pai me contou como ele conseguiu nossa casa pedi para que Deus abençoasse nosso antigo prefeito pelo seu coração generoso.
                Mas desses últimos dias nunca vou esquecer, o capítulo começa quando tenho uma forte discussão com minha mulher na frente de meu filho de 5 anos, nossa discussão acordou a menorzinha que estava no berço. No auge da discussão disse “Me arrependo amargamente de ter me casado tão moço e ter perdido minha vida”, claro que não foi real, foi uma coisa que saiu da boca pra fora, mas quando brigamos fazemos de tudo para ferir nosso adversário seja física ou mentalmente.
                Sai de casa, fui para a cidade, não queria mais voltar pra casa naquele dia, nem a chuva forte que me fez cair algumas vezes no morro me fez parar. Fui prum bar lá no centro da cidade, quanto mais longe de casa ficasse era melhor.
                Depois de dormir fora de casa resolvi voltar, mas para onde? Cheguei no local onde minha casa sempre esteve e lá não havia nada, apenas lama, tudo estava soterrado não acreditei ao ver aquilo, me atirei no chão chorando com muita força, parecia que algo ruim estava apertando meu coração e brincando com ele como se fosse um saco de pancadas. Minha vista começou a embaçar e a última coisa que lembro foi de um dos homens envolvidos nas buscas me socorrer.
                Acordei em uma tenda de socorro improvisada com um dos voluntários nas buscas sorrindo e dizendo
                “Nem tudo se perdeu”, ela me entregou minha filha menor, sobreviveu por milagre, trouxe com ela algumas recordações como álbuns de fotos.
                Mas minha vida estava perdida, minha mulher e meu filho mais velho se foram, assim como meus pais e a maior parte dos vizinhos, só não me atirei daquele morro pelo pequeno milagre que agora vai ter que crescer sem mãe e avós, nem irmão.
                Até agora me pergunto de quem é a culpa, nossa por invadir um lugar de risco? Mas meus pais nem sabiam o que é isso, e depois nem tinham mais aonde ir, não podiam me criar na chuva. Mas a imagem do prefeito que prometeu a morada não me sai da cabeça, e agora digo para todas autoridades, Deus abençoe-os , porque um pouco do sangue de cada morto está nas mãos de vocês.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Chuva de Verão




                Era um dia como hoje, o verão não dava uma trégua com as chuvas repentinas. Em meio aquele caos estava um homem desafiando o céu, homem não, garoto, adolescente que julgava saber como tudo funcionava. Ele aproveitava os intervalos das chuvas para continuar sua jornada. Mas por que tanta empolgação para sair no meio das pancadas de chuva do verão?
                Sim, havia um motivo maior pra aquilo tudo, seria o fim, o fim da melhor parte de sua vida, algo que foi bom mais precisava acabar, algo que lhe ensinou muito, mas deveria chegar ao fim.
                Ela olhava a chuva caindo parecia pressentir que algo estava para mudar. Já havia algum tempo que tudo era diferente, o garoto revoltado pra quem decidirá entregar seu coração já não podia ajudá-la devido à distância, em seu coração a solidão batia cada vez mais forte.
                Na mente do garoto a idéia fixa de que o desfecho não passaria de hoje, que hoje ele resolveria tudo de uma vez por todas.
                Ele demorou um pouco chegar ao local marcado, para não chegar molhado teve que ir arranjando abrigos, ela entendeu sua explicação.
                - Como estão as coisas? – perguntou ele
                -Estão piorando, ontem briguei com minha mãe, meus dois irmão não falam mais comigo, estou sozinha de fato – respondeu ela, mas não querendo parecer muito coitada
                -Eu sei o quanto você está sofrendo, mas há quilômetros de distância que nos separam, isso não pode dar certo, enquanto você vivia aqui eu podia te ajudar, agora só posso te comunicar por cartas
                -É, mas temos que ter paciência...
                -Não, já bastou o dia que você encostou a lâmina nos pulsos, não quero passar por isso de novo. Lembra daquele seu amigo que gosta tanto de você?
                -Não se preocupe não vai acontecer. O que tem ele?
                -Eu sou a única barreira que impede vocês dois, mas agora essa barreira se foi, ele pode cuidar de você, eu não
                -O que está dizendo?
                -Simples, você não consegue superar o que eu consegui sozinha, e eu longe não é a mesma coisa do que ele perto. Sei que você tem plenas condições de amá-lo, por isso estou te deixando, pelo seu próprio bem...
                A garota botou as mãos no rosto e deixou as lágrimas escorrerem
                - Pois bem, se é assim, você também está me deixando! Como todos fazem! Apenas me usou, não me preocure mais
                -Se for para seu bem não procurarei mesmo, vou viver uma outra vida, recomeçar, ainda tenho muito que provar aqui neste maldito lugar, não tenho força pra continuar com minhas metas e ficar preocupado com a chance de você tirar sua vida. Pelo menos ele não vai deixar você fazer isso.
                -Não me venha com desculpas, é isso então? Adeus

                Eles discutiram mais um pouco, mas logo o Sol ia se por, e um nunca mais veria a luz do outro. Na volta pra casa ele resolveu se perder um pouco, as pancadas de chuva voltaram, ele se deixou atingir, sabia que tinha feito a escola certa, ele não poderia protegê-la como o outro protegeria. E agora a chuva em sua cabeça indicava um novo começo, para um novo homem, uma etapa se ia, para outras começarem.
                Assim é a vida, uma etapa precisa ser destruída para que outra reine em seu lugar. Assim é a vida, que começa da dor, e da dor se faz o milagre.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Espírito de Natal

Então é Natal
Vamos fingir que temos amor ao próximo
Que abolimos o mal
Que tudo é perfeito

Todo dia crianças morrem por fome
A Terra sofre pelo homem
Mas não há nada de mau
Porque é Natal

Agora é a época 
Época de fingir que nos importamos com os outros
De dar a tudo um significado comercial e material
Isso se chama espírito de Natal

O verdadeiro aniversário a ser celebrado foi esquecido
O aniversariante foi substituido
Por um velho barrigudo que faz "How How How"
Que ensina as crianças como pedir presentes é bom

Por último veio informar
Que o mundo continua banal
Com os erros de sempre
Mas não vamos se importar, pois logo vem o Natal.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Homem de Lata


Se no amor eu acreditasse
Você eu amaria
Se um coração eu tivesse
A você eu o daria

Mas não tenho tempo para as crendices
Feito à margem eu fui
Nada idiotices
A razão me constitui

Meus sentimentos enferrujam como o metal
Uma máquina sem coração
Somente a mim sou leal
E ao meu artesão

De que adianta ver os casais
A andar pela praça
Nada disso terei
Apenas uma máquina sem graça

Chegará à hora em que todos poderão ver
Que o amor é fraqueza
E se eu não posso ter
Isso não é uma tristeza

Mas mesmo assim
Se no amor eu acreditasse
Você eu amaria
Se um coração eu tivesse...
A você eu o daria.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Escola

                   
              Não faz muito meu estilo, mas acho que o fim de um ciclo tão importante merece alguma consideração, então vou escrever algumas coisas sobre a escola, um ciclo tão longo da vida. (Qualquer um pode estranhar mudanças, isso é direito de qualquer humano)
             A formatura de ontem (da qual não pude participar por motivos de força maior) me fez pensar que agora é definitivo, sem mais palhaçadas, sem mais colegas que você pode irritar, brincar, discutir e essas coisas.
            E parece que foi ontem que o garoto chorão entrou naquela classe do pré, conhecendo novos “coleguinhas”, como diria minha mãe, aprendendo a ver um novo mundo.
            Mesmo tendo como o objetivo maior ensinar matérias do progresso humano, a escola serviu pra muitas outras coisas, como conhecer gente nova, ser exposto a novas idéias, (aprender a beijar atrás da quadra), entre essas coisas.
            Nunca vou esquecer da grande turma que me fazia companhia toda manhã em minha escola primária, brincando, meninos e meninas rivais, uns contra os outros para ver que é melhor.
            Passamos tanto tempo na escola, que mal percebemos o quanto nós e nossos colegas vão mudando, desde pequenos até virar adolescentes. E pensar que nunca mais vou precisar dizer, “ A mãe, não tem nada importante amanhã, posso faltar?”, ou “Acho que to doente, não quero ir pra aula”, também não vou precisar fingir esquecer um trabalho como desculpa para não entregá-lo, tampouco bater a mão na cara por não ter estudado para uma prova.
            Acabando tudo isso também acaba a época em que a vida não precisava ser tão séria, em que todo dia se podia encontrar seus colegas e amigos, em que por piores os momentos que viesse, ainda serão melhores dos que virão, pois lá estávamos sobre a proteção dos outros, ainda sobre as asas dos pais.
            E agora? Agora é o mundo real, sério, sem tempo para palhaçadas, onde não existe “recuperação”, nem “repetência”, onde a vida não perdoa os que falham, onde apenas os melhores prosperam.
            Se resolvi tomar um espaço neste blog que tanto gosto, postando um texto diferente do que todos aqueles que postei antes, sem vestir uma fantasia em meus personagens ou poemas, sendo apenas eu mesmo, é porque queria arranjar um modo de dizer o quanto as experiências deste ciclo me marcaram.
            E para todos que fizeram parte desta parte da minha vida, entre colegas e professores, vale ressaltar que ainda não acabou, os colegas feitos ficam, todo o conhecimento adquirido também, e talvez um dia possamos todos nos reunir novamente, para em um mundo sério, sem tempo para a diversão e descontração da escola, agente possa reviver os velhos tempos.